EuroHockey Espinho 2016: resumo da 2ª jornada



A Escócia e a Croácia abriram as hostilidades da tarde, no início da segunda jornada. No primeiro tempo, a Croácia dominou completamente o marcador com uma eficácia arrepiante: quatro golos em cinco remates, nos primeiros 15 minutos. 4-1 era, então, decorridos os primeiros 20 minutos, o reflexo dessa superioridade em termos de concretização.
 
Na metade complementar, a Croácia continuou a ser terrivelmente eficaz e, na primeira vez que chegou à baliza escocesa, marcou o quinto tento. Nem um minuto passado, o score crescia para 6-1. De canto, a Escócia reduziu por volta dos 25 minutos. Com 9 minutos para jogar, a Croácia concretizou o 7.º golo, mas, em inferioridade numérica pontual, consentiu o terceiro da Escócia, que haveria ainda de marcar um 4.º, já com guarda-redes avançado. A escassos segundos do final, os escoceses marcaram mesmo o 5.º golo, mas não foram além. O relógio não consentiu. 7-5 foi, assim, o resultado final, tendo a Croácia, apesar de ter claudicado nos minutos derradeiros, merecido a vitória.
 
França e Inglaterra mediram forças logo de seguida. A França adiantou-se no marcador, atingindo ainda um segundo golo, não eram decorridos os primeiros 5 minutos. A Inglaterra, ainda no minuto cinco, haveria de reduzir, antes da primeira paragem técnica. A escassos 4 segundos dos 20 minutos iniciais, a Inglaterra conseguiu empatar a partida de “curto”, impondo assim o 2-2 com que terminou a primeira metade.
 
A França voltou a adiantar-se no marcador aos 3 minutos do segundo tempo e, na resposta, a Inglaterra desperdiçou um canto curto que poderia ter dado novo empate. Apesar das muitas insistências de ambos os lados, só a 9 minutos do fim a Inglaterra voltou a empatar e, no minuto seguinte, conseguiu adiantar-se, pela primeira vez no jogo. Nova igualdade no marcador aconteceu a 3 minutos dos quarenta, semeando mais emoção ao redor do recinto de jogo, emoção que ainda não acabara: a 14 segundos do fim do jogo, a Inglaterra deu a volta final na partida, acabando por vencer pela diferença mínima: 5-4. Grande jogo, a uma cadência impressionante.
 
O Dinamarca-Ucrânia começou em ritmo elevado, e, com 5 minutos de jogo, o marcador já tinha funcionado por duas vezes (1-1). Partiu a Ucrânia na frente, empatou a Dinamarca que, posteriormente, deu a volta no marcador. O jogo anterior, entre a França e a Inglaterra, parecia ter espicaçado a velocidade das equipas para este jogo, assistindo-se a uma partida muito acelerada, com oportunidades em ambas as balizas e com os guarda-redes em grande plano. De facto, ou Portugal incrementa a sua postura ou não tem andamento para estas equipas, Ucrânia incluída.
 
A Dinamarca, a minuto e meio do fim, conseguiu chegar ao 3-1, mas a Ucrânia respondeu de imediato, repondo a diferença mínima com que se chegou ao intervalo, porque, a 5 segundos do apito, os ucranianos, na cara do guarda-redes, falharam a igualdade.
 
Com 17 minutos para jogar, a máscara do guardião dinamarquês safou a respectiva selecção e, na resposta, a equipa nórdica enjeitou ocasião soberana. O minuto 26 foi o do 4.º golo dos dinamarqueses; o 32, o do 5.º, numa diferença que começou a tornar-se pesada para uma Ucrânia que nunca virou a cara à luta, mas infeliz na concretização. E os dinamarqueses, que já não tinham perdoado contra Portugal, utilizaram com sucesso a mesma receita, não obstante terem sofrido, a 7 minutos do apito final, o 3.º golo. Fosse mais eficiente nos “curtos” e, por certo, a Dinamarca, não obstante o 6.º golo, não se teria sentido tão confortável como o resultado enganador pronunciou no final: 6-3.
 
 
E, finalmente, o ansiado jogo entre Portugal e a Bélgica.
 
… Que não começou bem. O árbitro, com minuto e meio de jogo, cavou um “curto” e a Bélgica concretizou. Meio minuto depois, 2-0. Decorria o minuto 4, David Franco reduziu. Na mesa, o cliente do costume, dormia e o marcador persistia em 2-0. Coisas estranhas, já que, de manhã, foi mais do mesmo, mas não se esqueceu de apontar o 3.º para a Bélgica, depois de um dos árbitros deixar passar um pé claríssimo que daria “curto” para Portugal. Mas a equipa portuguesa, desorientada, também não ajudava.
 
Ao 9.º minuto, 4-1. Com “linces” aparentemente de rastos fisicamente, torna-se fácil para equipas bem dotadas física e tecnicamente. Hélas!
 
Bruno Santos, o capitão, puxou dos galões e, aos 11 minutos, ainda reduziu para 4-2 e poderia ter marcado o 3.º. Infelicidade! Já faltava.
 
Mas Ricardo Teixeira arrancou um grande golo e a diferença mínima estava reposta, desfeita ao 16.º minuto e reposta na réplica por Bruno Santos.
 
Foi bonito o renascimento de Portugal de 4-1 para 5-4, quando tudo parecia contra nós, até o resultado e as incidências, mas como teria sido belo sem alguns exageros individuais: portugueses…
 
Um “curto” escamoteado e, na resposta, a Dinamarca aumenta para 6-4. São as tais incidências de que falava, mas a defensiva portuguesa também ajudou. Efectivamente, um mal nunca vem só.
 
Com 26 minutos de jogo, 6-5, finalmente. Por Ricardo Teixeira. Mais duas perdidas, e sem a sorte do jogo, de novo. Ufff! Sem a sorte do jogo e sem sorte nos julgamentos da equipa de arbitragem. Há momentos em que é demais. Como o 7-5, com 9 minutos para jogar.
 
O que seria esta equipa nacional sem os deslizes individuais que, inesperadamente, estão a aparecer? Nem as tais incidências seriam suficientes para nos abater. Mas a cabeça de alguns está a parar demasiadas vezes. Excesso de competição? Má gestão física? Demasiada dependência da legião estrangeira que se tem mostrado muito abaixo do que tem feito nos respectivos campeonatos e já lhe vimos fazer em outras ocasiões. Chame-se-lhes bloqueios, ou coisa semelhante, mas para situações dessas é que o banco tem seis jogadores, e todos fazem parte da equipa. Eu disse exactamente: equipa! E é por isso que se sofrem golos como o 8.º da Bélgica. Pois!
 
Estava a escrever “pois” e Luís Tavares reduziu. Que este golo te faça bem, que não tens sido feliz na prova. Como teria feito bem a David Franco, que não teve ventura na sua emenda à malha.
 
E quando parecia concluído, a Bélgica ampliou para 9-6. Decididamente há dias em que não se pode sair de casa. Não é, Mário Almeida?
 
9-6 é o resultado final. Mais uma vez com muitos amargos de boca.
Armindo Vasconcelos

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