Marcos Ferreira, a voz do hóquei na Eurosport



Numa altura em que se disputam as rounds 1.1 e 1.2 da Euro Hockey League, falamos com Marcos Ferreira, conhecido por, entre outras coisas, ser o comentador português de hóquei na Eurosport.

"Pilhas", como é conhecido na modalidade, conta como tudo começou e qual a sensação de acompanhar os grandes jogos internacionais em direto. O luso fala-nos ainda do melhor momento que teve a oportunidade de comentar e do segredo para saber todos os pormenores de todos os atletas de hóquei.

FPH: Como começaste a fazer comentários para a Eurosport?
 
Marcos Ferreiras (MF):
Tudo começou em 2004, na altura o Eurosport era só um canal e nem todas as modalidades tinham comentários em português. O hóquei nas poucas transmissões que tinha era comentado pelo Nuno Santos, que também comenta o futebol. Na altura procuravam uma pessoa com conhecimentos da modalidade, e dessa forma o Prof. Manuel Botelho deu o meu nome para efetuar futuros comentários. O meu 1º campeonato foi o torneio de classificação Olímpica em Madrid 2004, com uma final Espanha – Holanda onde a Holanda vence em golo de Ouro num golaço do Ronald Brouwer. Ainda fiz este campeonato acompanhado pelo Nuno Santos, pessoa que foi uma pedra chave na minha evolução. A partir daí comecei a efetuar as transmissões sozinho. Houve um pequeno interregno de cerca de 1 ano e meio devido ao aparecimento da Eurosport 2, passando o Hóquei passar a ser transmitido nesse canal, onde durante essa altura era tudo em inglês, comentado pelo Nick Irvine, principal comentador de hóquei do Eurosport, e também, por vezes, pelo Simon Mason, o Presidente da Federação Inglesa. No entanto, o hóquei tem vindo a ganhar algum espaço e como sucedeu no Eurohockey 2013 começa já a  passar novamente na Eurosport Internacional.
 
FPH: Qual é a sensação de comentar hóquei na televisão? Podes-nos descrever a experiência por dentro?
 
MF:
Bem, para um apaixonado desta modalidade Olímpica é claro que além de ser um prazer me dá bastante satisfação comentar os jogos. Além de ter oportunidade de ver os jogos, a maioria em direto, permite-me dar a conhecer ao público residente em Portugal toda os aspetos da modalidade. Sendo um canal não público e como sucede noutros desportos transmitidos na Eurosport, não existe uma linha definida de como devemos falar ou do que devemos ou não falar. Dessa forma opto por dar a minha opinião pessoal em vários temas e na análise dos jogos, bem como passar informação que acho válida para quem é conhecedor ou não da modalidade. Por vezes torna-se complicado comentar alguns jogos de equipas de 2ª ou 3ª linha, onde o ritmo de jogo possa ser mais aborrecido, nesses casos opto por falar aprofundadamente de alguns temas menos habituais.
 
FPH: Qual foi o melhor momento que tiveste a oportunidade de comentar?
 

MF: Nestes quase 10 anos de transmissões houve grandes momentos, e cada vez mais isso sucede devido ao elevado nível de hóquei que cada vez mais as equipas apresentam. Cada vez que temos as melhores equipas em ação, seja de seleções nos Champions Trophy, Campeonatos do Mundo, Europa, etc, seja a nível de clubes na EHL. No entanto, fica-me na memória a Final do Mundial de 2006 em Mönchengladbach, onde a Alemanha vence a Austrália por 4-3 após ter estado a perder por 2-0. Estádio cheio e ao rubro, com as 2 melhores equipas do mundo na altura, além de que retenho ainda uma imagem na cabeça, quando Philipe Crone, defesa da Alemanha e um dos meus jogadores de referência, leva boladas na mão direita sem luva mas, mesmo assim, os australianos não conseguiam passar por ele.
 
FPH: És conhecido por ser uma autêntica biblioteca de conhecimento da modalidade, no que refere a nomes e histórias de jogadores, por exemplo. Como consegues reunir e fixar tanta informação?
 
MF:
No início de 2000, com a Internet, foi sendo mais fácil ter informação sobre o que se passava nas principais ligas, pelo que dessa forma fui-me cultivando a esse e outros níveis. Tento quase todos os dias dar uma vista de olhas pelas principais ligas, saber notícias da competição, regras, transferências, equipamento, etc. No entanto, enquanto os adeptos de futebol compram os jornais desportivos, eu através das Internet, facebook, tento que me chegue muita informação, além de que nas minhas muitas viagens que fiz ao longo destes mais de 10 anos deu para ir adquirindo muita informação sobre tudo o que envolve o mundo do hóquei. Por vezes, nalgumas transmissões, com equipas menos conhecidas, especialmente as asiáticas ou algumas de leste, não é fácil recolher toda a informação pretendida, o que faz com que haja um pouco mais de pesquisa. Além disso, com cada transmissão vai aumentado o nível de conhecimentos. Curioso que ao início muita gente me perguntava como sabia os nomes dos jogadores das principais seleções. A resposta é simples, além de ter uma boa memória, conseguia reconhecê-los porque alguns deles já os vi jogar ao vivo, e via vários vídeos de jogos com esses mesmos intervenientes.

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