EuroHockey Indoor Championship III (M) - Marcos Ferreira realiza balanço do europeu



Após a conquista épica de Sveti Ivan Zelina, chegou a altura de fazer um balanço e refletir sobre (mais) um grande momento do hóquei nacional.

Marcos Ferreira, um dos líderes da nau que foi levada a bom porto, deixa-nos a sua visão da vitória portuguesa.

Informações sobre a prova: http://www.fphoquei.pt/blog/2014/01/eurohockey-indoor-championship-iii-m-vitoria-epica-sobre-a-turquia-garante-titulo-europeu

"Partimos para este campeonato com a certeza que teríamos boas possibilidades da subida, sendo esse o nosso principal objectivo.

Sendo um pais já com alguma experiência no indoor, e que têm no seu curriculum vários bons resultados nesta variante tanto em selecções como clubes, era mais uma boa oportunidade para mais uma boa prestação. No entanto, apesar de ser uma divisão C, cada vez mais o nível da equipas e a competitividade têm subido, muito mais nas divisões inferiores onde os países de 2ª e 3ª linha aproveitam estas provas para conseguir títulos e exposição para que possam crescer a nível europeu.

Dessa forma tínhamos certezas que Croácia (a jogar em casa) e Gales poderiam ser os adversários directos à subida. No entanto não podíamos descartar Hungria, com a  qual tínhamos perdido na edição anterior, e Turquia, que tem subido bastante nos últimos tempos.

Fomos a equipa que menos tempo esteve em Zelina, que não treinou no dia anterior, que menos descanso teve. Mas isso não nos demovia do objectivo principal e, no final, fomos a equipa que mais golos marcou, a que melhor goal-average conseguiu e a que alcançou que todos os seus jogadores de campo marcassem, pelo menos, um golo!
 
Após uma viagem bastante desgastante iniciamos o 1ª dia de competição bem cedo, com um pequena adaptação ao pavilhão antes do jogo com a Hungria. De salientar as excelentes condições para jogar, ao contrário do que nos tinham alertado. Bom pavilhão, bom piso, boas tabelas e gente simpática sempre disposta a ajudar.
 
1º dia de competição logo com 2 vitórias onde jogamos o suficiente para ganhar, também devido ao facto da fadiga do dia anterior, mas também porque sabíamos que no dia 2ª dia, seria onde tínhamos de apresentar o nosso melhor nível de Hóquei. 2 Jogos 2 vitórias com bons golos, praticamente todos de jogada, visto que este campeonato viria a ser marcado talvez pela menor percentagem de concretização de cantos de sempre, e não foi por falta de “artilheiros”.
 
2ª Dia de competição onde, no jogo contra Gales, fizemos talvez a nossa melhor exibição, contra uma equipa muito melhor da que esteve em Gondomar, que primava por muita posse de bola e jogava sempre com 5 jogadores em ataque, sem guarda-redes. Conseguirmos bloquear essa situação e demonstramos aí que éramos candidatos à vitória final. Uma nota para esta equipa Galesa que tem vários jogadores a jogar na 1ª liga inglesa e 1 na belga, sendo que o nível de preparação deles era bem superior ao nosso. Pode-se pensar que eles são mais profissionais no tempo que dedicam ao desporto, no entanto cada um pagou 450 libras (545 Euros) para esta deslocação, tendo cada um deles gasto 9000 Libras (10900 euros) para todo o programa Outdoor de 2013. Dá que pensar.
No ultimo jogo da tarde, com a presença de 1000 croatas, o ambiente foi ao rubro com um jogo que podia ter dado para os 2 lados. Emoção, golos falhados, cartões, até ao segundo final, é certo algum favorecimento numa ou noutra situação, mas no final estava ainda tudo em aberto, e fomos felicitados por todos pelo grande jogo que aconteceu naquele dia em Zelina.
 
3ª dia de competição após um 2ª dia muito desgastante, mas mesmo com pouco descanso ainda tínhamos força para a batalha final, frente ao turcos. Não começamos bem, foram os piores 15 minutos de toda a competição, só nos últimos 5  minutos da 1ª parte abrimos os olhos, levantamos a cabeça e fomos a luta. Reduzimos para 5-3 antes do intervalo. Fomos para a 2ª parte com uma mudança de estratégia que ainda não tínhamos mostrado e que só quereríamos usar caso fosse necessário. O resultado foi termos destruído completamente o jogo turco, com 10 minutos sem GR (Carlitos com colete de guarda-redes avançado). Os turcos nem sabiam o que fazer, resultado final 9-5, e tínhamos a subida assegurada independentemente do resultado do Gales – Croácia, faltava saber quem passava connosco e quem se sagraria campeão europeu.
 
Como é sabido, festejamos a vitória no aeroporto, a minutos de embarcarmos para espanto de todos os presente no terminal do aeroporto de Zagreb.
 
No final fica o trabalho de todos para esta vitoria, apesar da pouca preparação, de muita indisponibilidade devido as vidas profissionais de alguns atletas habituais nesta selecção indoor, fomos para esta competição com uma equipa jovem (média de 23 anos), mas com algumas peças de grande experiência, o que dá boas garantias de um bom futuro. Tivemos um grande espírito de grupo e isso é essencial para as grandes conquistas, e nisso os mais experientes foram peças chave. Obrigado Carlos Silva, João Santos e Roberto Nogueira por transmitirem os valores de vestir a camisola da Selecção Nacional a alguns jovens já com alguma experiência na equipa sénior e a muitos outros estreantes na mesma (8 estreias na selecção senior de sala em 12 jogadores).
 
Agora resta continuar a trabalhar para atacar a Divisão B daqui a 2 anos e que consigamos daqui a 4 anos colocar Portugal no Mundial Indoor que se prevê ser na Argentina, seria um passo de gigante como sucedeu já o ano passado com a World League."

Marcos Ferreira, Treinador Adjunto

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